12/05/2026

Empresas correm para garantir créditos tributários antes do fim do PIS/Cofins em 2026

Por: Iuri Santos
Fonte: InfoMoney
A proximidade do período de extinção do PIS/Cofins pela reforma tributária está
levando empresas a se movimentarem por uma reorganização financeira na qual
um dos focos é a recuperação de créditos tributários. A revisão faz parte de um
escopo amplo de priorização por liquidez e caixa.
Dados exclusivos levantados para o InfoMoney pela assessoria empresarial
Valestrá, com atuação em consultoria tributária, mostram que 64% da demanda
empresarial esteve concentrada em soluções ligadas a liquidez e caixa em 577
contratos fechados entre janeiro e março de 2026.
Desse total, 50% buscam soluções de revisão fiscal e previdenciária, reflexo de
uma busca imediata por recuperação de créditos tributários, revisão de
pagamentos indevidos e alternativas de eficiência relacionadas à folha. “Esses
créditos poderão ser aproveitados no novo modelo tributário, mas uma parte
deles deverá ser escriturado até o final de 2026”, aponta a CEO da Valestrá, Keila
Biazon.
A Lei Complementar que determina a extinção do PIS/Cofins no último dia de
2026 determina que o créditos de contribuição para estes tributos permanecerão
válidos e utilizáveis, mas deverão ser registrados no ambiente de escrituração. De
acordo com Biazon, esse é um procedimento administrativo de notificação de
créditos pendentes junto à Receita Federal.
Créditos tributárias são gerados de tributos pagos em excesso ao longo da cadeia
produtiva. Acontece quando, ao vender um produto, a empresa paga o ICMS em
cima do cálculo do PIS/Confins, o que gera uma bitributação.
A reforma tributária extingue, a partir de 2027, o PIS/Cofins, dando lugar à
Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), um imposto nacional. Desde o início de
2026, empresas já passam por um período de transição com alíquotas reduzidas
tanto do CBS quanto do Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS) para familiarização
dos contribuintes com o novo sistema.
Toda a adequação dos créditos tributários está dentro de uma agenda mais
ampla de soluções de liquidez e caixa nas empresas, avalia Biazon. Outros 14%
de demanda da Valestrá de janeiro a março vieram pela busca da Bônus de
Adimplência Fiscal (BAF), benefício dado a empresas adimplentes junto ao fisco.
“Fazemos uma varredura das empresas nos últimos anos e identificamos,
inclusive, benefícios que poderiam ter utilizado e que eventualmente ainda não
foram feitos para agregar valor ao fluxo de caixa”, conta a CEO.
Adequação de contratos
Em outra frente, empresas estão também adequando contratos para se proteger
de eventuais aumentos de custos provocados pela reforma tributária. De acordo
com Biazon, a expectativa de aumento da alíquota, em especial no setor de
serviços, levou a consultoria a reforçar às empresas a necessidade de garantir
eventuais reajustes nos custos de fornecedores.
Embora as alíquotas definitivas após o fim da transição da reforma ainda não
estejam definidas, é possível estimar um percentual e utilizá-lo para dar
segurança contratual às empresas. “Se não temos precificação final, colocamos
minimamente uma proteção que vai permitir o empresário a adaptar o preço a
partir do momento em houver, de fato, uma mudança de alíquota”, diz a
executiva.